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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

o nome da cidade


Ôôôôôôô ê boi! ê bus!
Onde será que isso começa
A correnteza sem paragem
O viajar de uma viagem
A outra viagem que não cessa
Cheguei ao nome da cidade
Não à cidade mesma, espessa
Rio que não é rio: imagens
Essa cidade me atravessa
Ôôôôôôô ê boi! ê bus!
Será que tudo me interessa?
Cada coisa é demais e tantas
Quais eram minhas esperanças?
O que é ameaça e o que é promessa?
Ruas voando sobre ruas
Letras demais, tudo mentindo
O Redentor, que horror! Que lindo!
Meninos maus, mulheres nuas
Ôôôôôôô ê boi! ê bus!
A gente chega sem chegar
Não há meada, é só o fio
Será que pra meu próprio rio
Este rio é mais mar que o mar?
Ôôôôôôô ê boi! ê bus!
Sertão, sertão! ê mar!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

eu queria ser rua numa noite
eu queria ser janela numa noite
uma janela que de dentro dela saíssem cores diversas
eu queria ser a goteira acumulada que cai de cima de uma parada de ônibus
eu queria ser a parada de ônibus que acolhe um choro
eu queria ser o banco que assenta o corpo
eu queria ser noite

uma noite em brasília.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

pensa na seca de brasília.
a seca já instalada cobre a cidade branca-vermelha.
pensa em caminhar nas ruas de brasília na seca de brasília.
agora pensa que a chuva se anuncia,
o vento sopra e vai entrando pelas janelas
as portas batem, as pessoas fecham as janelas,
as folhas invadem os blocos.
aí “eu” penso que bloco nenhum pode me cobrir num dia de chuva.
ainda mais quando o paulo disse que a rua é a parte principal da cidade. 

por marcia regina 


Leminski; Toda Poesia - [quarenta clics em Curitiba; 1976].